quarta-feira, 24 de março de 2010

Almost...


Percebi dia desses que tenho diversos tons, formas, sons e cheiros
Tenho variações que vão do amarelo quase branco ao violeta intenso
Numa escala de valores melancólicos,
Mas ao mesmo tempo sólidos.

Descobri que sou mulher ou quase.
E me sinto sendo quase.
E quando atravessando a rua, por minhas pernas me deixo levar
Eu sempre vou em direção ao sol e com certeza evaporo.
Porque eu sou quase.

Sou quase quando as palavras me fogem
Sou quase sem quase ser menina,
Sou quase sem querer,
Sou quase não sabendo ser.
Quase poeira, canção... Quase nada!

Mas queria mesmo ter o cheiro da noite
Ser a chuva que molha
Ser o som do instrumento que pulsa a canção.
Mas...
Sou quase.
Mulher de capricórnio, quase aquário.
E ser quase é quase um não
Não sei então ser mulher...

Quando não me olham sumo.
Fico incolor.
Chata.
Chamariz de luz fraca.
Sou sem dúvida um carrossel manual,
como caixinha de jóias
rodopiando na canção (como fada de Botequim que quase sou)
toda vez que me abrem,
me fazem dançar ao som dos Bandolins,
e guardam-me sem perceber o quanto estou zonza.
OU quase assim...


domingo, 21 de março de 2010

Girasoles












................ (Quatro girassóis - Van Gogh - 1887)

Tem girassóis amarelos
o meu quadrado de sol.

A vida espancada passa
mas no quadrado de sol
aberto sobre o jardim
os girassóis amarelos
velhos
mostram o fim.

(Luandino Vieira)

Usando o verbo alheio, para fincar fundo o EU  que me escapou...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mientras...

 
 ..................................(Ilustração: Vânia Medeiros)


Vem moço!
Esbarra na minha saia até me fazer dança de rodopiar
E pinta meus pés descalços com aquelas cores do amanhecer de noite.

Lambuza meu peito nu
E me deixa misturar nossos cabelos
Sentir cheiro de saudade
Lamber aquele doce de nome desejo.

Sim moço!
Me faz sentir menina-de-fogo-mulher
Vestido rasgado, melado de manga.

Domina esse asfalto que passeia em mim
Me encaixa nesse seu sorriso segredo
Que dia desses te conto onde se escondem as estrelas...


.....................................Vem comigo que te levo pro céu...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

M'oublie

Acho que não sou algo bom de ser lembrado...

 .
.
.
.
...................Todo mundo anda me esquecendo ultimamente.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

scorpion

Preta, feita escorpião,
acerta o peito de um pobre
que nao souber querer
Atras de não te ver, não!
Outra mão cobrindo você...

Ah! como eu queria dar meu amor
a quem me mereça
e nunca mais buscar o teu perdão
deixar meu coração
deitado ao redor de você

Preta, feita escorpião
me rasga o peito
meus cabelos...

Não precisa jogar desse jeito meus olhos no chão!*


(*musica "Preta" - Daniel Prudente) 

sábado, 30 de janeiro de 2010

2010! Será?

Tá! Não falei nada sobre 2010 e me senti na obrigação de anunciar que ele continua a girar...
São muitos planos, muitas criações, muitas produções, muitos projetos, muitos editais, muitos concursos, muita coisa pra fazer, uma dor de coluna chata a incomodar (hernia de disco ou nervo ciatico, não importa! tá doendo pra cacete), muita música, muitas surpresas, alguns casamentos (não o meu..rs), muito teatro, muitas madrugadas de farra... muitas e muitas coisas para  um inicio de ano!

Espero que continue até o fim!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eu vou por ai...

Andava pela sala arrastando um corpo que se fingia alma. Entorpecida em seus medos, tropeçava na plenitude da ausência de si mesma. “Sou angústia” - pensava. “Sou esboço de tudo que desejei pra mim. Sou um todo que de mim escapa. Sou anseio que não se realiza. Sou silêncio, entrelinha, reticência e etcetera.” Deparou-se consigo mesma em frente ao espelho. Como Narciso olhando sua imagem refletida nas águas, encantou-se pelo que viu. Havia algo além do que a retina registrava. Havia por detrás da fronte franzida um átimo de esperança e voltou a pensar: “se sou esboço, sou obra inacabada. Se sou um todo que de mim escapa, sou parte que só eu domino. Se sou anseio, sou possibilidade de um vir a ser que a mim pertence. Se silêncio em ato, música em potência. Se entrelinha, sou além do que em mim escrevo. Se reticência, deixo que o outro a mim suponha. Se etcetera, sou muitas, sou pluri. Sou autora de mim mesma burilada em “sentires”. Trago no corpo e n’alma as linhas de um mapa que, bandeirante da vida, desbravo".